sábado, 24 de maio de 2014

CURITIBA, OS PEDESTRES, AS CALÇADAS, OS BARES...


O mito produzido da Curitiba ecológica, acessível e para todos, vem desmoronando como castelo de areia quando bate a onda do mar.


 Durante muitos anos, Curitiba acumulou muitos  títulos de grandeza e beleza, muitos dos quais fabricados por uma competente estratégia de propaganda montada com fins mercadológicos e eleitoreiros.



 Hoje, se não bastasse o fiasco com a construção da Arena do Atlético e a paralisia das obras de mobilidade urbana, em face da realização da Copa do Mundo, os curitibanos de sangue "azul", ainda precisam aceitar conformados que em matéria de construção de estádios, são muito menos  competentes e ágeis do que os próprios nordestinos.



 Para a auto estima dos curitibanos, perder para aquela "ralé" de regiões "inferiores" do Brasil, é o mesmo que levar um soco no estômago desferido por um daqueles nocauteadores peso pesado.



 Mas, penso que o pior de tudo é ter que engolir as verdades ditas por um jornal francês que recentemente conseguiu desconstruir o mito da capital ecológica. Depois desta, já estão lá os "especialistas" novamente a pensar como recuperar o título tão significativo.



 Depois desta, vamos aguardar com muita ansiedade quem vai desconstruir o mito da capital acessível. Se o ponto de referência tomado for as calçadas, não precisamos aguardar nem mesmo notícias da imprensa internacional.



 Neste particular, basta sair andando pelas ruas de Curitiba e vamos constatar sem muito esforço o quão esta cidade é um horror. Em outro escrito, divulgado pela internet, logo que o atual prefeito assumiu, eu disse que as calçadas seriam as pedras no sapato de Fruet.



 Um ano e meio de governo já se passaram e até agora ainda não vi nada de novo. Ouço falar na elaboração de num tal plano de calçadas, mas concretamente, até o momento são apenas palavras.



 Contudo, enquanto esperamos a promessa do plano, a prefeitura, por meio dos seus diversos aparelhos (Secretaria de Urbanismo, Secretaria dos Direitos das Pessoas com Deficiência, do IPUC, do Conselho dos Direitos das Pessoas com Deficiência, etc.), com base na legislação já vigorando, poderia ao menos tomar algumas providências em relação aos bares e outros estabelecimentos comerciais que utilizam as calçadas com fins econômicos e comerciais.



 Sei que muitos gostam e até acham bonito mesas esparramadas pelas calçadas, cheias de pessoas feias, bonitas e outras "meia boca", praticamente todas embriagando-se, fazendo arruaças e atrapalhando a livre circulação constitucional dos pedestres.



 Todo mundo sabe que as calçadas são passeios públicos e que, portanto, a colocação de mesas é proibido por força de Lei. Mas, como a Lei neste país e nesta cidade é apenas um mero detalhe, a própria prefeitura, não só não cumpre como também não faz cumprir, valendo-se do seu poder constitucional de fiscalização e punição através dos meios legais já existentes.



 Por tudo isso, vivemos um jogo de faz de contas, de me engana que eu gosto, onde impera a mediocridade e a mentira. Depois, quando nossas crianças e jovens identificam-se mais com alguns criminosos "bem sucedidos", as autoridades e nós mesmos ficamos com cara de "babacas" nos perguntando o que está acontecendo com a juventude brasileira.



 Se buscarmos na história, desde os primórdios até os nossos dias, vamos constatar que as crianças sempre aprenderam e continuam aprendendo por imitação. Trocando em miúdos, somos nós, os mais velhos e experientes, que com nossas práticas e exemplos educamos as crianças e jovens.

 Por Enio Rodrigues da Rosa.
 É mestre em educação.

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