sexta-feira, 7 de março de 2014

DIA INTERNACIONAL DA MULHER



Dia 8 de março, comemora-se o "Dia internacional da mulher". O que deveria ser um dia de luta, para celebrar e lembrar o assassinato de mais de 100 mulheres trabalhadoras, queimadas vivas pelos patrões numa fabrica de tecelagem nos EUA, no final do século XIX, acabou sendo transformada numa "simples" data festiva, muito mais focada na beleza da mulher, no seu papel de mãe e cuidadora, de amante e esposa amada, do que propriamente na sua valorização como gênero humano.


 Hoje, observando bem, já não parece restar duvidas do quão a mulher já conquistou em termos de direitos civis, políticos e de sua importante participação na força de trabalho total do país e, portanto, na sua contribuição na composição do Produto Interno Bruto - PIB.



 No entanto, se mulheres já não são assassinadas em massa pelos patrões, como lá no passado, elas ainda recebem os menores salários em comparação com os homens, elas ainda são bloqueadas e excluídas de uma efetiva participação nos cargos e nas decisões políticas, elas continuam sendo violentadas e assassinadas pelos seus companheiros/parceiros, elas ainda são muito discriminadas, sofrem preconceitos, são assediadas e continuam sendo as principais vitimas de violências simbólicas e materiais praticadas pelos homens neste país.



 O machismo, forma historicamente construída de relação onde os homens julgam-se superiores às mulheres, pelo "simples" fato de pertencerem ao gênero masculino, continua fortemente enraizado na cultura brasileira e sendo uma constante nas relações entre homens e mulheres.



 Portanto, se nesta data em particular, eu quero parabenizar as mulheres pelo seu dia, gostaria também que as mulheres aproveitassem também a oportunidade para refletirem até que ponto elas ainda continuam sendo vistas e "simplesmente" utilizadas pelo mercado como "objeto" de consumo. Esta condição de "simples" objeto de desejo dos homens e do mercado, passa longe e não tem nada a ver com a verdadeira cidadania que as mulheres ainda estão longe de alcançar no Brasil.



 Assim como é o natal e tantas outras datas que marcam rituais (sagrados ou não) de passagens, já foram desconfiguradas e descarnadas dos seus sentidos e valores originais, também o Dia internacional da mulher já deixou de ser identificado com um dia de luta e foi transformado em mais um dos dias do mercado.



 Hoje, muitos homens vão distribuir flores e outros presentes para as mulheres. E provavelmente vão fazer isso estimulados pelo mercado de consumo. De todos esses homens, penso que muito poucos deles vão também aproveitar a oportunidade para refletirem sobre as suas práticas e posturas machistas nas relações com as mulheres.

Aliás, a "simples" distribuição de presentes, sem esta reflexão crítica, em vez de diminuir, só reforça ainda mais o machismo.



 Professor Enio Rodrigues.

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