sexta-feira, 22 de julho de 2011

O Glaucoma é a maior causa de cegueira irreversível no País

O glaucoma faz parte do grupo de doenças que afetam o nervo óptico e levam a uma perda gradual do campo visual sem qualquer aviso. A principal causa destas lesões do nervo óptico é o aumento da pressão intraocular do paciente, cujo controle é realizado com o uso contínuo de colírios e, nos casos mais graves, com intervenção cirúrgica. Na maioria das vezes, o quadro evolui também sem sintomas.

"Nos adultos, a doença acontece normalmente após os 40 anos, aumentando a chance de incidência a cada década. A prevalência do glaucoma aumenta muito com a idade. Com o tratamento adequado, o ritmo de progressão da doença cai, em média, 15% e conseguimos retardar significativamente a perda da visão do paciente", ressalta a oftalmologista Regina Cele Silveira, mestre em Administração Oftalmológica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), colaboradora do setor de glaucoma da Unifesp e diretora da Oftalmologia do Complexo Hospitalar Padre Bento, de Guarulhos (SP).

Estima-se que, em 2010, o glaucoma atingiu aproximadamente 1 milhão de brasileiros e seja a maior causa de cegueira irreversível no País. Em todo o mundo, o glaucoma é a segunda principal causa de perda de visão que pode ser evitada.

A adesão ao tratamento é fundamental para que a doença não evolua mais, pois não existe cura para o glaucoma, mesmo em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos.
"O que temos é o controle da progressão da doença por meio da estabilização da pressão interna do olho e da lesão do nervo óptico. Por isso é tão importante que o uso dos colírios nos horários certos e de maneira contínua. Para se ter uma ideia, estima-se que 50% dos portadores de glaucoma já sejam cegos de um olho e não percebam. Devemos lembrar que o glaucoma é uma doença traiçoeira, porque é assintomática no início. Só provoca baixa visual em fase mais avançada", alerta Regina.

Por isso, é importante que durante o diagnóstico o aftalmologista realize não só a medição da pressão intraocular, a análise clínica e do histórico familiar do paciente, mas também exames que avaliem o estado do nervo óptico (exame de fundo de olho), a amplitude do campo visual e a espessura da córnea. Dessa forma é possível avaliar se há lesão ao nervo óptico e qual é o nível de pressão intraocular considerado seguro para aquela pessoa.

Segundo Regina Cele, o diagnóstico precoce e preciso é importante porque, no glaucoma, a suspeita da doença não é tratada: "só indicamos o medicamento quando há realmente uma lesão do nervo, não há indicação de colírio profilático".

Vale lembrar que o glaucoma também pode ser uma doença congênita, considerada primária quando a criança nasce com lesão no nervo óptico e secundária, seja por má formações, síndromes, tumores ou outras doenças que afetam o nervo óptico. Nesses casos, geralmente a indicação de tratamento é cirúrgica.

Na fase adulta, o tipo de glaucoma mais comum e mais simples de ser conduzido é o primário, com 80% dos casos. No entanto, a doença também pode surgir por conta de outras enfermidades, como o diabetes, hipertensão arterial sistêmica descontrolada, arterosclerose e colesterol aumentado,doenças reumatológicas - como a artrite e a alta miopia.

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